Atualmente, porém, eu me desloco diariamente para a região do Itaim e Faria Lima, que além de caótica é cara e com acesso difícil. Não aprecio mais a arquitetura igual eu fazia com os prédios do centro, não reparo mais nas ruas nem nas pessoas. Talvez seja porque a vida vai exigindo da gente mais tempo e menos criatividade nas nossas tarefas, nos deixando a cada dia um pouquinho menos perceptivos com o que nos cerca. Talvez o encantamento com o novo tenha passado. Não sei.
Só sei que hoje eu saí mais tarde do trabalho e antes de descer eu olhei pela janela do escritório. Vi um carnaval de luzes que tomavam contas das ruas, sem final definido, um amontoado de cores, sons e gente combinando com um céu escuro, denso azul quase preto. De dentro do táxi, olhei a Marginal Pinheiros e suas centenas de prédios tão diferentes mas igualmente imponentes como os do centro da cidade. Prédios que abrigam tanta gente, tanto sonho e esperança. Uma imendisão de luzes em volta de um rio cansado. Tudo imenso... Senti-me pequenina no meio dessa cidade. Percebi a beleza desse lugar, a grandeza de tudo que diz respeito à São Paulo, minha cidade e cidade de tantos outros. Boquiaberta, olhei com olhos de criança curiosa, grudados no vidro do carro. De repente, o motorista me diz: "Eu também fiquei impressionado com essa cidade quando vi isso tudo pela primeira vez". Nem me dei ao trabalho de corrigi-lo e dizer que eu sempre morei aqui. Afinal estava realmente vendo tudo pela primeira vez.
2 comentários:
Pois é Lu! Passo por isso algumas vezes quando "decido" olhar pessoas e situações com outros olhos, pela primeira vez.. Parece tudo tão novo, né? Devolver o brilho para a vista cansada é uma das melhores coisas...
Ah Lu..
Eu gosto MUITO do jeito como vocÊ escreve.
Paabéns, mais uma vez!
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